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Seminário “Capacitação em Tuberculose para Gestores” está sendo realizado, desde segunda-feira (26), no Rio de Janeiro.

Promovido pela parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Confederação Nacional de Saúde (CNS) e pela Federação Internacional de Hospitais (IHF), o objetivo do evento é preparar os gestores para pensar alternativas para a orientação e o tratamento da tuberculose.

Uma das principais demandas em relação à TBMR (Tuberculose Resistente a Medicamentos) é ter uma liderança efetiva e habilitada. Além disso, um programa de controle da TB bem gerido só pode ser encontrado dentro de um quadro de colaboração entre todos os profissionais de saúde, em áreas tão vitais como a medicina, enfermagem e administração hospitalar, reunindo conhecimentos e competências envolvidas no tratamento e cuidados da doença.

Patrocinado pela empresa Eli Lilly, o evento é um treinamento fechado para gestores hospitalares convidados e conta, nesta edição, com 40 gestores de várias regiões do país, alem de ter, como convidados especiais, o Dr. Banavaliker, que compartilhará da experiência na Índia; a Dra. Qing Zhang, que fala sobre as estratégias chinesas para controle e tratamento da TBMR; e o Dr. Ken Hekman, presidente do Health Development International (HDI), que vai conduzir os trabalhos durante a semana.

Na ementa do seminário afirma-se que, da perspectiva da saúde pública, um tratamento sem supervisão ou incompleto da doença é pior do que nenhum tratamento. O problema, no entanto, não pode ser atribuído à falta de um tratamento efetivo, mas à falta de organização.

Durante a abertura do evento, a vice-diretora da ENSP/Fiocruz, professora Margareth Portela, disse que, esta é uma oportunidade para fortalecer a pesquisa em Tuberculose, incentivando a gestão e a apresentação do campo epistemológico dentro da Escola.

De acordo com ela, é necessário responder a perguntas referentes ao tema, por exemplo, como diminuir as estatísticas da tuberculose, o que deve ser feito para cuidar dos pacientes ou como fazer para que a equipe sinta-se responsável pelos estudos neste sentido. Dra. Margareth também enfatizou a importância de se manter uma avaliação contínua dos projetos ligados à TBMR.

Para a mentora do evento, a professora Dra. Thelma Bataglia, o evento se propõe a capacitar gestores a tomar decisões gerenciais que vão impactar a condução do tratamento do paciente, especialmente com o recorte da doença em sua fase resistente a medicamentos. Ela ressaltou que o encontro reuniu representantes dos países que formam o BRICS, que são países emergentes, muito populosos, e, desta forma, espera-se um grande interesse na troca de experiências clínicas.

Para ela, o Brasil se destaca neste cuidado, uma vez que, apesar da predominância do sistema público de saúde, a participação do sistema privado e suplementar tem registrado uma parceria importante para o desenvolvimento de pesquisas na área. Ela enfatizou que a TB só tem sido notada nos países por causa do crescente número de pessoas contaminadas pelo vírus HIV. A tuberculose é um dos principais problemas que têm atingido esta população, levando a óbito, se não tratada corretamente.

Quanto à participação da Saúde Suplementar, Prof. Thelma disse que a TB é uma doença sem apelo e, por isso, não há investimentos privados em grande escala nesta área. Ela afirmou que, apesar de a TB trazer um impacto econômico negativo aos países – uma vez que os funcionários ao contrair a doença ficam afastados do serviço – ela só passa a ser notada por causa do impacto aumentado por causa da coinfecção com a AIDS. A expectativa é que agora, com muitos casos de TB, a indústria, comércio e grandes empresários devem perceber que a mão de obra está sendo afetado e, assim, passe a ter um interesse maior, uma “solidariedade” com o setor público no sentido de investir mais na área, trazendo à tona a advocacy feita por grandes empresas, em pesquisas cínicas e medicamentosas, apesar de ainda não ser uma cultura no Brasil.


Boletim Saúde & Poder - 27/07/10

 

 
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