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O Globo: Pernambuco: 400% a mais de casos de dengue PDF Imprimir E-mail
Letícia Lins

RECIFE. A dengue explodiu este ano em Pernambuco, onde as notificações da forma clássica da doença já são 426% maiores que as registradas em igual período do ano passado. E o número de ocorrências da forma hemorrágica é 24 vezes maior que o verificado nos primeiros sete meses de 2009.

Até ontem, a Secretaria Estadual de Saúde computava 28.258 casos suspeitos da dengue clássica, dos quais 4.243 foram confirmados após investigação epidemiológica e análise laboratorial. O governo do estado nega, no entanto, que Pernambuco esteja vivendo uma epidemia da infecção e avalia a situação como "estado de alerta".

Mas, em Recife, onde no fim de semana duas pessoas morreram com suspeita da doença, a epidemia já é reconhecida, segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura, Denise Oliveira. Na capital, são 4.800 pessoas com suspeita de dengue clássica este ano, e 2.028 casos estão já confirmados.

Também foram registradas 28 suspeitas de dengue hemorrágica na cidade. No estado, eles somam 198, dos quais 27 foram oficialmente confirmados. Até o momento foram registradas 32 mortes suspeitas, mas somente uma foi oficialmente confirmada como decorrente da dengue. Vinte e cinco outras estão sob investigação.

A Coordenação de Epidemiologia diz que a cidade com maior número de casos é Ca-ruaru, que registrou 5.382 pessoas com a doença em 2010.

— A prefeitura (de Recife) reconhece que vivemos uma epidemia desde o mês de maio. Estamos trabalhando, temos 850 agentes de saúde ambiental na rua, mas o poder público, sozinho, é impotente para combater a doença. O Recife tem cerca de 500 mil imóveis, e é preciso que a população colabore, evitando focos do mosquito — disse Denise. — Estamos intensificando o trabalho de campo, eliminando focos e podemos até enfrentar um decréscimo da doença, mas acredito que vamos conviver com ela ainda durante um longo tempo pela estrutura urbana da cidade.

Em Recife, crianças são as mais vulneráveis

Para o governo do estado, a situação tende a se normalizar. A SES não avalia que a população enfrenta uma epidemia, mas declara i estado de alerta", o que indica o reconhecimento de que a situação é grave. Para a SES, o problema tende a se reduzir, com o fim do inverno, época de chuvas constantes.

É que da primeira semana para a segunda de junho, a incidência da dengue caiu 8,5% em Pernambuco. Entre a segunda e a terceira, houve nova queda, dessa vez de 9,83%. E entre a terceira e a quarta, houve nova curva descendente, 17,45%. Na primeira semana de julho, a queda na incidência (surgimento de novos casos), foi maior, 41%.

Em Recife, as duas pessoas que morreram no final de semana com suspeita de dengue hemorrágica eram um paciente de 19 anos e uma menina de nove. O primeiro caso, no entanto, foi descartado ontem. O óbito foi provocado por leptospirose, doença transmitida pela urina de rato é que é mais comum na época de chuvas, devido ao transbordamento de esgotos. Já o óbito da garota está em investigação. Denise informou que o número de crianças atacadas pela dengue vem aumentando: —Muitos adultos que tiveram a doença ficaram imunizados a partir das outras epidemias, em-bora agora estejam mais vulneráveis à forma hemorrágica, caso sejam atacadas por um vírus diferente. Mas muitas crianças não eram nem nascidas nas epidemias passadas, principalmente as da década de 90, e agora viraram alvo fácil da doença.

13/07/10
 
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