Chamado de Pascal (laser de varredura padrão, na sigla em inglês), o
novo aparelho trata doenças da retina por meio de fotocoagulação
personalizada (quando o médico consegue programar a aplicação de acordo
com o problema). O equipamento é o primeiro da América Latina e está
disponível apenas pelo SUS. O Hospital São Paulo, na capital paulista,
foi o primeiro a receber a novidade, numa compra em parceria com o
Instituto da Visão, da Unifesp. O destaque é da Folha, desta quarta
(3).
JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O Hospital São Paulo, na capital, recebeu neste mês um novo
aparelho de laser para tratar doenças de retina por meio de
fotocoagulação personalizada -quando o médico consegue programar a
aplicação do laser de acordo com o problema. A compra foi realizada em
parceria com o Instituto da Visão da Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo).
Chamado de Pascal (laser de varredura padrão, na sigla em inglês),
o equipamento é o primeiro na América Latina e está disponível somente
pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Deve ser aplicado para tratar,
principalmente, retinopatia diabética -doença ocular manifestada por
alterações nos vasos sanguíneos que circulam na região causadas pelo
diabetes e principal causa de cegueira entre pessoas de 25 a 60 anos. É
usado há dois anos em outras partes do mundo e é considerado um dos
melhores tratamentos para esse problema.
Em comparação com os aparelhos de laser disponíveis no Brasil para
tratar problemas dessa região do olho, o Pascal se mostra mais preciso
e torna o tratamento mais rápido.
"Esse novo laser é aplicado de maneira diferente na retina.
Normalmente, a luz queima a região de maneira descontrolada; nesse
caso, é possível aplicá-la em pulsos curtos. Isso permite ao médico
atuar sobre a retina sem destruir a área em volta, com menor difusão do
calor e menos dor", afirma o oftalmologista Rubens Belfort Jr.,
presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e
médico do Hospital São Paulo.
Segundo Belfort, a dor e o incômodo durante o tratamento podem
fazer com que o procedimento convencional seja interrompido,
postergando o resultado final. "O indivíduo vem, sente dor e, às vezes,
não conseguimos fazer os dois olhos no mesmo dia", diz. Em geral, são
necessárias ao menos quatro sessões de laser convencional em cada olho
para completar o tratamento contra retinopatia diabética. Com o novo
aparelho, é possível concluir a terapia em até duas sessões.
"O aparelho custa três vezes mais do que outros [cerca de US$ 150
mil], mas o custo-benefício compensa. Em 15 minutos, é possível tratar
o paciente sem dor", acrescenta Belfort.
O aparelho deverá ser usado em mutirões de tratamento de diabetes ocular organizados pelo Hospital São Paulo.
"Por ser mais preciso, trata de uma área toda do olho de maneira
homogênea. É especialmente interessante em grandes serviços com volumes
grandes de paciente. O tratamento é muito mais rápido e é possível
tratar muito mais gente", compara o oftalmologista Paulo Augusto de
Arruda Mello Filho, especialista em retina e vítreo e membro do
Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
O acesso ao tratamento com laser de Pascal é restrito somente a
pacientes encaminhados pelo setor de oftalmologia da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo).
O hospital receberá ainda neste ano outro aparelho semelhante,
programado para tratar glaucoma (doença relacionada à pressão ocular
elevada), também de maneira mais precisa.
03/02/10
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